Resenha: Caraval

julho 07, 2018

Scarlett nunca saiu da pequena ilha onde ela e sua irmã, Donatella, vivem com seu cruel e poderoso pai, Governador Dragna. Desde criança, Scarlett sonha em conhecer o Mestre Lenda do Caraval, e por isso chegou a escrever cartas a ele, mas nunca obtivera resposta. Agora, já crescida e temerosa do pai, ela está de casamento marcado com um misterioso conde, e certamente não terá mais a chance de encontrar Lenda e sua trupe, mas isso não a impede de escrever uma carta de despedida a ele. Dessa vez o convite para participar do Caraval finalmente chega à Scarlett. No entanto, aceitá-los está fora de cogitação, Scarlett não pretende desobedecer ao pai. Sendo assim, Donatella, com a ajuda de um misterioso marinheiro, sequestra e leva Scarlett para o espetáculo. Mas, assim que chegam, Donatella desaparece, e Scarlett precisa encontrá-la o mais rápido possível. O Caraval é um jogo elaborado, que precisa de toda a astúcia dos participantes. Será que Scarlett saberá jogar? Ela tem apenas cinco dias para encontrar sua irmã e vencer esta jornada. 

Com uma boa dose de magia, Caraval é um evento comandado pelo Mestre Lenda, realizado anualmente e em locais diferentes. É como se fosse um espetáculo de luxo onde os convidados podem optar para serem apenas telespectadores do show ou de fato participarem de um caça ao tesouro, que concede um prêmio para quem ganha. No entanto, por existir uma linha tênue entre fantasia e realidade, o Caraval pode se mostrar cruel com quem quiser brincar. 

Ao longo dos anos, a avó de Scarlett e Donatella contou inúmeras histórias a respeito do Caraval e as deixou maravilhadas apenas com a descrição daquele espetáculo. Assim sendo, quando a mãe das duas garotas partiu sem ao menos se despedir, Scarlett pensou que uma forma de trazer um pouco de felicidade para a vida delas seria se a caravana do Mestre Lenda fosse até aquela pequena ilha em que moravam. Como eram obrigadas a nunca saírem da mesma, Scarlett começou então a mandar cartas com o seu pedido ao Mestre Lenda. Contudo, durante sete anos, nenhuma resposta chegou. 

E quando Scarlett finalmente está de casamento marcado e resolve desistir de pedir para que o Caraval fosse até a sua ilha, Mestre Lenda responde sua carta de despedida, convidando ela e a irmã a participar do espetáculo. Porém ela não estava disposta a arriscar enfrentar a fúria de seu pai e perder o casamento que era seu passaporte para fora daquele lugar. Donatella, no entanto, não pensa da mesma forma e, mostrando-se inconsequente e impulsiva, sequestra Scarlett, com a ajuda de um marinheiro, e parte até o Caraval que agora se encontrava na Isla de Los Sueños. E é a partir desse momento que o jogo começa e Scarlett tem de aprender a se adaptar com a magia que a circunda.



Caraval é o primeiro livro de uma duologia da escritora estreante e estadunidense Stephanie Garber. A história é narrada em terceira pessoa, mas nem por isso deixa de ser fluida e envolvente. O leitor se vê devorando as páginas, uma atrás da outra, em busca de entender todo o mistério da trama que acompanha os passos de Scarlett na aventura que o Caraval se apresenta. Em todo momento surge uma reviravolta, vez ou outra até clichê, que inevitavelmente prende o leitor.


Um ponto negativo foi o romance entre a protagonista e outro personagem também importante na obra. Achei que a aproximação dos dois aconteceu de um modo muito rápido. A autora não explorou a relação dos dois e, quando notei, Scarlett já estava desenvolvendo sentimentos mais profundos. No entanto, por mais que aparece esse par romântico no meio da obra, o foco principal continua sendo os enigmas do jogo e a busca por Donatella.

Por mais estranho que isso possa parecer, eu pude sentir certo gosto de bala de cereja, até mesmo escutava aquelas notas tocadas em carrossel e lembrava de filmes de Tim Burton enquanto estava lendo Caraval. Foi uma leitura rápida, de apenas dois dias, mas que me transportou para uma experiência quase completa, mesmo que seus personagens não tenham sidos trabalhados de forma tão aprofundada. Acredito que talvez isso ocorra no segundo livro da duologia.

Quando terminei a leitura, não soube descrever como me sentia em relação ao livro. Esperava mais,  muito mais, principalmente devido às críticas extremamente positivas de blogs literários americanos. Apesar disso, não foi uma leitura chata e nem cansativa. A autora me prendeu de fato durante toda a narrativa com todas aquelas reviravoltas, porém nem mesmo a revelação final fez com que crescesse certa expectativa ao volume dois que está para ser lançado.

O que quer que tenha ouvido falar sobre o Caraval não se compara à realidade. É mais do que só um jogo ou apresentação. É a coisa mais parecida com magia que você verá neste mundo.

Título: Caraval

Autor(a): Stephanie Garber

Publicação: Novo Conceito

Gênero: Fantasia

Páginas: 400




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