Resenha: A Guerra Que Salvou A Minha Vida

julho 30, 2018

Ada tem 10 anos (pelo menos é isso que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular - coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um "pé torto" como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. 

Ada é uma menina que nunca saiu de casa. Ela tem extrema dificuldade de andar por conta da deformação de um de seus pés e, portanto, para se locomover e cumprir com as obrigações que sua mãe impõe se arrasta pelo chão do apartamento. Não bastante ter de cuidar da casa, Ada ainda sofre diversos maus-tratos e é colocada de castigo toda vez que faz algo que desagrada a mãe. Por sorte ela acha conforto na presença de seu irmão mais novo, Jamie, a pessoa que ela mais ama no mundo.

Proibida de sair da porta para fora, todos os dias a menina se coloca em frente a janela e observa as pessoas que por ali passam e a cumprimentam brevemente. Ela anseia por se juntar a seu irmão e brincar com ele e seus amigos, mas sabe que não pode e se obriga a permanecer ali dentro.

Quando a Inglaterra decide entrar na Segunda Guerra Mundial, surgem boatos de que Londres pode ser bombardeada por Hitler a qualquer momento. Com isso, muitas crianças são enviadas ao interior e Ada e Jamie as acompanham. E é nesse lugar repleto de campos que a menina busca uma vida melhor.


A Guerra que Salvou a Minha Vida é um livro de drama da autora americana Kimberly Brubaker Bradley. A narrativa é dada em primeira pessoa, do ponto de vista de Ada, e mesmo com a grande carga emocional da história é possível notar o esforço da autora em retratar uma história contada pelas mãos de uma criança. 

Confesso que eu estava meio receosa no começo, principalmente por não ter me apegado à protagonista, mas na medida em que a história foi sendo contada e os fantasmas revelados passei a simpatizar com a dor de todo o sofrimento que Ada conviveu com sua mãe, pois a profundidade dos personagens se mostrou bem mais do que a superfície dos primeiros capítulos. A obra retrata a guerra interna que a menina sofre todos os dias para superar, confiar e aprender a amar.

 
É um livro para se ler apenas em uma tarde, carregado com uma história extremamente tocante e linda. As cenas finais me instigaram a ler a continuação da obra, A Guerra que Me Ensinou a Viver, para continuar acompanhando a saga de Ada, Jamie e Susan.


Título: A Guerra que Salvou a Minha Vida

Autor(a): Kimberly Brubaker Bradley

Publicação: Editora Darkside

Gênero: Drama

Páginas: 240

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